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A dica da Aroeira para este final de semana é o filme “The Wall”. Baseado no álbum homólogo da banda clássica do rock mundial, Pink Floyd, o longa foi dirigido por Alan Parker e conta a trajetória do rock star Pink, começando na sua infância, marcada pela perda do pai, soldado britânico morto na Segunda Guerra Mundial, até se tornar um líder neofascista de extrema-direita.

Importante perceber o processo de formação desse tipo de liderança e de seus seguidores, que mantém com ele um vínculo libidinal, que os faz abrir mão de sua individualidade, dissolvida em meio à massa de gente fanatizada, que considera mito qualquer pessoa que normaliza os sentimentos que compõem o ressentimento dessa gente. O ressentimento é a solução de compromisso encontrada pelo indivíduo que se acha um fracassado. Para se proteger da angústia do fracasso, o ressentido culpa o outro pelo prejuízo que sofreu, esperando o momento oportuno para poder se vingar. Esse outro pode ser o preto, o judeu, o homossexual, o artista, as pessoas sensíveis, os pobres, etc. O ressentido é sempre vítima de alguém oportunista, malvada, “privilegiada”.

De fato, foram várias as circunstâncias e fatos que contribuíram para que Pink construísse o muro de ressentimento em volta de si, separando-se do “mundo cruel”. A morte do pai, a mãe narcisista, a educação tradicional, a traição conjugal, a pressão do show business e a destruição causada pela guerra nos faz achar, num primeiro momento, que o pobre rapaz foi apenas mais uma vítima das circunstâncias que não controla. E a sempre alguém que endossa, no ressentido, essa certeza. Melhor mesmo é seguir o ensinamento daquele velho barbudo do século XIX, que dizia: “os homens transformados são produto de outras circunstâncias e de uma educação modificada, [porém] são justamente os homens que transformam as circunstâncias e que o próprio educador precisa ser educado”.

Que tal articularmos nossos sentimentos negativos, produzidos pela realidade injusta e opressora, em torno da luta por uma sociedade verdadeiramente emancipada, onde não mais haverá vítimas e nem opressores? Fica a dica!