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O mundo contemporâneo, capitalista, neoliberal, de valorização do empreendedorismo como tábua de salvação para todas àquelas pessoas que não suportam mais se submeter as ordens de um patrão chato, impõe um imperativo superegoico: faça! Ele vem substituir aquele outro da sociedade disciplinar-castradora: não faça! Dessa forma, na sociedade do máximo desempenho performático, a negatividade é um sacrilégio que foi substituído pela positividade. Resultado: desregulamentamos a vida ao implodir a Lei, estabelecendo normas de conduta as quais os indivíduos livremente se subordinam até o ponto que lhes interessa. Não há mais culpa, porque a Lei foi abolida, mas apenas o temor da vergonha de si, caso ocorra uma conduta performática fracassada.

Acontece que a sociedade do desempenho produz sujeitos cansados. É a tese defendida por Byung-Chul Han no livro “Sociedade do cansaço”, a dica de leitura da Aroeira para esta semana.

“O sujeito do desempenho esgotado, depressivo, está, de certo modo, desgastado consigo mesmo. Está cansado, esgotado de si mesmo, de lugar consigo mesmo. Totalmente incapaz de sair de si, estar lá fora, de confiar no outro, no mundo, fica se remoendo, o que paradoxalmente acaba levando a autoerosão e ao esvaziamento”.

Lista de alguns dos sintomas que afetam os sujeitos cansados: depressão, Síndrome de Burnout (SB), Transtorno de Déficit de Atenção com Síndrome de Hiperatividade (TDAH), Transtorno de Personalidade Limítrofe (TPL)... Todos esses males são, segundo o filósofo sul-coreano, sintomas de uma sociedade cuja marca é o excesso de positividade, na qual o tédio é angustiante, sobretudo quando, nas redes sociais, as postagens acusam a existência de pessoas sempre criativas, ativas e muito felizes.

“A violência da positividade não pressupõe nenhuma inimizade. Desenvolve-se precisamente numa sociedade permissiva e pacificada. Por isso ela é mais invisível que uma violência viral. Habita o espaço livre de negatividade do igual, onde não se dá nenhuma polarização entre inimigo e amigo, interior e exterior ou entre próprio e estranho”.

Livro bom, de leitura rápida, com ótimas reflexões sobre a subjetividade que caracteriza na nossa contemporaneidade. Fica a dica!