Imagem/Garras da Fé

Aconteceu no último sábado (20), no Rotary Club de Remanso/BA, a 2ª Vivência 2021 promovida pelo Grupo de Capoeira Garras da Fé. “Com objetivo de proporcionar mais conhecimentos teóricos e práticos”, o tema escolhido para o evento, realizado no Dia da Consciência Negra, foi “O resgate diário da nossa identidade: Capoeira, filosofia que educa”.

Conforme informado pela professora Lidiane Mota, as “Vivências da Capoeira” acontecem duas vezes no ano e estão inseridas no projeto “Capoeira sem Fronteiras”, “com a finalidade de trazer para o capoeirista, bem como para suas famílias contextos relevantes da nossa prática social”, em atividades que têm a participação de capoeiristas de Remanso e de outras cidades de atuação do Grupo Garras da Fé.    

Com uma programação distribuída ao longo do dia, a Vivência apresentou diversas oficinas, como a “Oficina de Técnicas Específicas para aulas de capoeira”, que foi facilitada pelo estagiário a monitor Maery e que teve como público-alvo as crianças, e a “Oficina de Confecção e Manutenção de Berimbau”, coordenada pelo monitor Chefe.

Oficina de Confecção e Manutenção de Berimbau/Imagem: Aroeira Comunica 

Destaque-se ainda a participação ativa de todos os presentes na atividade, que contou também com uma “Roda de Conversa” sobre a capoeira como lugar de resistência, facilitada pelo professor e comunicador popular da Aroeira Comunica, Marcos Paulo.

“Na minha intervenção, fizemos uma dinâmica a partir da qual foram levantadas as palavras geradoras com as quais iniciamos uma roda de conversa sobre as marcas da escravidão na atualidade brasileira. Uma sociedade atravessada pelo racismo, o preconceito, as desigualdades, a violência, a pobreza, a exploração sexual, a falta de saúde... Com isso, o grupo concluiu que o Brasil ainda não é um país totalmente livre, porque seu povo continua sendo oprimido e explorado, sobretudo a população negra, como mostram os números sobre a violência policial, o encarceramento, a pobreza, o analfabetismo e o desemprego”, relatou o professor Marcos Paulo. 

Roda de conversa/Imagem: Aroeira Comunica

Durante o debate, o grupo também chegou à conclusão que a capoeira é um lugar e uma forma de resistência na luta em favor de uma sociedade mais justa e igualitária, pois ela ensina valores e atitudes que promovem a justiça e a igualdade, como, por exemplo, o respeito, o acolhimento e o amor, palavras geradoras que sugiram durante a realização da dinâmica.

No passado, o povo negro escravizado resistiu e foi protagonista no processo de desestruturação do sistema escravista, que foi oficialmente abolido no dia 13 de maio com a assinatura da Lei Áurea; porém, o povo brasileiro continua resistindo, em espaços como a capoeira, para, enfim, concretizar, definitivamente, a liberdade no meio de nós e a igualdade.   

Para Marcelo Santana Mota (Mestre Macarrão), presidente do Grupo Garras da Fé, “o resultado da 2ª Vivência 2021 foi muito importante, pois conseguiu reunir instrutores, monitores e professores para ministrar aulas para todo o público, desde o aluno iniciante até os mestres formados”, num exercício de despertar para o “conhecimento que muitas vezes fica guardado e, por falta de movimento, pode ficar esquecido”, além da possibilidade de se discutir temas históricos, como preconceitos e diversidades.

Roda de capoeira na Praça Central/Imagem: Garras da Fé

A conclusão do evento aconteceu na Praça Central da cidade com uma roda de capoeira.


Texto: Aroeira Comunica.