Imagem/Aroeira Comunica
Da Redação.

Neste último dia do ano de 2021, o primeiro agradecimento que tem que ser feito é o de ter sobrevivido a ele. No Brasil, esse agradecimento é uma obrigação. São quase 620 mil vítimas da covid-19, sendo que esse número poderia ter sido muito menos que a metade se não fosse a necropolítica promovida pelo governo genocida de Bolsonaro. Neste país, atravessar todo o ano de 2021 sem ter adoecido foi uma missão praticamente impossível. Muitos adoeceram (e morreram) por causa da pandemia causada pelo vírus, outros devido às palavras e atitudes do verme. 

Tentativas de sabotar o início da vacinação, recusa em aceitar ajuda internacional para socorrer a população amazonense sem oxigênio, dificultar o acesso da vacina às crianças, nomeação de ministro do STF “terrivelmente evangélico”, aumento da fome e da miséria, da inflação e do preço de alimentos e combustíveis, motociatas com dinheiro público, ato golpista no sete de setembro, viagens internacionais inúteis, mentiras e mais mentiras com relação à vacina contra a covid-19, denúncias de corrupção na compra delas reveladas pela CPI da Covid, total falta de empatia com a tragédia baiana ocasionada pelas chuvas acima da média, colocação do Brasil como pária internacional, são algumas das marcas deixadas por esse (des) governo da morte no ano de 2021. O que não faltaram, neste período, foram crimes de responsabilidade praticados diuturnamente.

Aliás, por que Bolsonaro não foi impedido de continuar ocupando a presidência do país? Essa pergunta, certamente, atormentará o Brasil durante anos. No futuro, olharemos para nossos filhos/as e netos/as e teremos que explicar o motivo pelo qual agentes e instituições públicas foram tão coniventes com um governo de extrema-direita fascista. Teremos que explicar como foi possível, anos antes, golpear uma presidenta eleita democraticamente, honesta, cujo crime de responsabilidade nunca foi comprovado; enquanto que alguém que é uma verdadeira ameaça à democracia não é impedido. O mal foi banalizado entre nós. Uma mancha indelével na história do Brasil.

As condições objetivas para uma revolta estão todas postas, entretanto ela não aconteceu. Porém, no ano de 2021, ocorreram manifestações pelo Fora Bolsonaro e Paulo Guedes e em defesa da vacinação que levaram milhões de pessoas às ruas de várias cidades do país, sobretudo jovens. Um alento em meio à sensação de apatia que supostamente teria abatido o povo brasileiro. Por outro lado, muitos também saíram às ruas, principalmente no sete de setembro, para apoiar o presidente. Não nos iludamos: cerca de 20% da população se identifica com ele, é o que mostram as pesquisas. Com isso, precisamos continuar atentos, vigilantes e ativos. A batalha é longa e a luta, árdua.

A queda de popularidade de Bolsonaro parece indicar que ele termina o ano de 2021 com poucas condições de se reeleger nas eleições de 2022 – até lá, é quase um ano de tormento. Será que o Brasil aguenta? Neste sentido, o que esperar do ano de 2022?

Ao que tudo indica, assistiremos ao fim dessa infâmia que ocupou a presidência do Brasil em 2018. No entanto, algumas perguntas são pertinentes: o bolsonarismo arrefecerá com o fim do governo Bolsonaro? Ele aceitará sua derrocada sem resistir? As elites brasileiras permitirão a iminente vitória de Lula e o retorno do PT ao poder? O que fazer para eleger um Congresso de maioria favorável a reverter os retrocessos aprovados nos últimos anos, após o golpe de 2016, a exemplo da PEC do Teto dos Gastos? O Brasil precisa de uma reconciliação ou de uma reconstrução dentro de outros termos? Como realizar as reformas estruturais (agrária, urbana, bancária, tributária, etc.) aliando-se a setores golpistas, mas que não são, necessariamente, fascistas? Evidente que para a esquerda derrotar o fascismo deve ser a questão de ordem, porém a qual preço?  

É importante que a população esteja bastante atenta aos acontecimentos, pois as respostas a essas questões se darão ao longo do ano de 2022. Porém, que fique muito claro: nas eleições que se avizinham, derrotar o fascismo é o objetivo principal. Nesse sentido, são duas as candidaturas que ameaçam a democracia: a do ex capitão e aquela representada pelo ex juiz Sérgio Moro. Esse, ao que tudo indica, é o candidato das elites. Elas buscam alguém que seja um Bolsonaro no conteúdo econômico, mas que não o imite na forma.

Assim sendo, entendemos, enquanto Aroeira Comunica, que a única candidatura capaz de reverter os retrocessos sociais e econômicos, bem como frear a sanha fascista que tanto mal vem causando ao país, é do ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Repudiamos os discursos que colocam Lula e Bolsonaro como dois lados de uma mesma moeda. Os fatos, as trajetórias políticas e a experiência de governo de cada um deles estão aí para desmentir essas falsas simetrias.

Boas festas e vamos esperançar em 2022!